Boeing volta a adiar retomada de voos do 737 MAX para meados do ano

Aviões Boeing 737 MAX parados em instalação da empresa em Seattle (Foto: Lindsey Wasson/Reuters)

 

A Boeing adiou oficialmente na terça-feira o possível retorno aos céus do 737 MAX, indicando que não espera ter as autorizações necessárias para a retomada do serviço antes da metade deste ano.

O novo adiamento da retomada dos voos deve aumentar as perdas econômicas causadas pelo avião, que se encontra mantido em solo há mais de dez meses após dois acidentes que causaram 346 mortes.

saiba mais

  • Boeing planeja 1º voo do 777x para esta semana, dizem fontes

“Atualmente, estimamos que a decolagem do 737 MAX começará em meados de 2020”, disse a Boeing em nota a seus clientes e fornecedores.

A Boeing acrescentou que sua nova meta “responde ao rigoroso escrutínio que as autoridades reguladoras estão aplicando corretamente em todas as etapas de sua revisão”.

O anúncio foi feito depois que o preço de suas ações em Wall Street foi suspenso após cair mais de 5% devido a indícios de um novo atraso no retorno do 737 MAX. Após a declaração da empresa, os papéis da Boeing foram negociados novamente e continuaram a cair em torno de 4%.

A Boeing adiou várias vezes sua programação para o MAX porque não consegue cumprir as metas que estabeleceu no ano passado. Meados de 2020 é muito mais do que os analistas esperavam e é provável que ocorra outro atraso.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) criticou a Boeing por considerar que seu programa MAX é muito agressivo e deu a entender que a empresa fez isso deliberadamente para pressionar as autoridades a rapidamente dar o seu aval. Na terça-feira, um porta-voz da FAA informou que não há data para a certificação MAX.

“Continuaremos a trabalhar com outras autoridades reguladoras de segurança para revisar o trabalho da Boeing enquanto a empresa faz os ajustes de segurança necessários e soluciona todos os problemas que surgem durante os testes”, afirmou a FAA.

Em entrevista à rede CNBC, em Davos, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a Boeing de “grande decepção” e está preocupado com o potencial impacto da crise da fabricante de aviões sobre a economia americana.

“A Boeing é uma grande, grande decepção para mim”, disse o presidente dos EUA durante o Fórum Econômico Mundial. “Foi até um ano atrás um dos maiores grupos do mundo e de repente muitas coisas aconteceram. Estou muito decepcionado com a Boeing, tudo isso teve um grande impacto (econômico). Ao falar sobre crescimento, as consequências (dos problemas da Boeing) são enormes”, insistiu Trump.

Segundo a Oxford Economics, os efeitos dos problemas da Boeing nos investimentos, comércio e ações, acumulados no primeiro trimestre de 2020, poderão ter um impacto de 0,5% no PIB em números anualizados. A maior parte desse impacto viria de exportações.

A Boeing, que exporta três quartos de sua produção, representa uma parte importante do comércio exterior dos Estados Unidos.