Facebook atuará com maior rigor contra manipulação política nas eleições brasileiras, diz Zuckerberg

Mark Zuckerberg em audiência no Parlamento Europeu  (Foto:  EFE/ Stephanie Lecocq)


Em uma audiência do Parlamento Europeu  em que enfrentou duras perguntas sobre as políticas de privacidade do Facebook, o fundador e CEO da rede social, Mark Zuckerberg, desculpou-se nesta terça-feira (22/05) pelo vazamento de informações da rede social à  consultoria Cambridge Analytica. Ele também admitiu que “levará tempo para fazer as mudanças necessárias para proteger” a privacidade dos usuários.

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“Ficou claro nos últimos anos que não fizemos o suficiente para evitar que as ferramentas que criamos fossem utilizadas também para causar prejuízo”, admitiu Zuckerberg aos líderes dos grupos do Parlamento Europeu e a seu presidente, o italiano Antonio Tajani. Zuckerberg também já havia pedido desculpas diante do Congresso dos Estados Unidos, após ser convocado para depor sobre o escândalo.

O fundador do Facebook aceitou comparecer voluntariamente ao Parlamento Europeu para dar explicações sobre o vazamento de informações dos usuários da rede social à Cambridge Analytica. A empresa de consultoria, que fechou as portas recentemente, foi acusada de comercializar essas informações para terceiros influenciarem no resultado das eleições presidenciais norte-americanas e do referendo do “Brexit”.

“Seja por meio de notícias falsas, da interferência estrangeira em eleições ou de desenvolvedores que usam os dados das pessoas de maneira mal-intencionada, não tivemos uma visão suficientemente ampla de nossas responsabilidades. Isso foi um erro, e eu sinto muito”, disse Zuckerberg, seguindo a mesma linha de seu discurso no Senado americano.

O empresário admitiu que “levará tempo para fazer as mudanças necessárias”, mas garantiu que está comprometido a “fazê-lo bem e a realizar os importantes investimentos necessários para manter as pessoas protegidas”.

Acusações negadas

Na audiência, que pôde ser aocmpanhada ao vivo pela internet, o CEO do Facebook ainda foi perguntado se abriria as informações financeiras da empresa para que as autoridades europeias pudessem investigar um possível monopólio. Nesse ponto, Zuckerberg defendeu o modelo de negócios do Facebook. “Uma pessoa usa no mínimo oito aplicativos para se comunicar”, justificou.

Ele também negou que sua companhia exerça qualquer tipo de discriminação política. O conservador britânico Nigel Farage foi um dos acusadores, dizendo que “se sente discriminado” em relação à sua posição ideológica na rede social. Para Zuckerberg, “as pessoas podem vir aos nossos serviços e compartilhar qualquer ideia de qualquer espectro político. Nós nunca decidiríamos qual conteúdo é permitido ou faríamos um ranqueamento com base na orientação política.”

Eleições no Brasil

Ao admitir que o Facebook não agiu com o rigor necessário para coibir interferências nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, Mark Zuckerberg lembrou que mudanças já foram feitas tendo em mente pleitos futuros. Ele citou a eleição brasileira como um dos casos sensíveis que serão enfrentados.

“Nossa prioridade, como companhia, é impedir que qualquer um consiga interferir em uma eleição, como os russos fizeram na corrida eleitoral dos Estados Unidos. Nos próximos 18 meses, há importantes eleições, como para o Parlamento Europeu, no Brasil e na Índia”, lembrou.

Por aqui, o Facebook irá verificar identidade e localização de autores de anúncios políticos, além de mostrar quem é responsável por eles. Em outra mudança anunciada recentemente, a rede social fechou uma parceria com agências de checagem de informações para evitar a propagação de notícias falsas.

Nova legislação

A sabatina de Zuckerberg no Parlamento Europeu acontece apenas alguns dias antes de entrar em vigor na União Europeia (UE) o novo Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), que, entre outras coisas, aumenta de forma exponencial as multas às companhias que não cumprirem suas determinações.

Esta legislação dará ao cidadão maior controle do uso que outros fazem de suas informações pessoais, já que, entre outras medidas, exigirá o seu consentimento explícito.

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