Fórum Econômico Mundial vê aumento de polarização e menos crescimento em 2020

Economia (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

 

A economia mundial começa o ano sob a ameaça de crescente polarização econômica e política doméstica e internacional, sem falar em um ritmo mais lento de expansão. “As turbulências geopolíticas estão nos levando para um mundo “unilateral” instável de grandes rivalidades em um momento em que os líderes empresariais e de governo precisam se concentrar urgentemente em ações conjuntas para reduzir os riscos compartilhados”, diz o Relatório de Riscos Globais 2020, divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Economico Mundial, em Londres.

O documento elaborado a partir da avaliação de 750 analistas ouvidos em todo o planeta afirma que, sem uma atenção urgente para as divisões nas sociedades mundo afora e políticas voltadas para o crescimento econômico sustentável, não será possível enfrentar as ameaças da crises climáticas, que, pela primeira vez nos dez anos de existência do relatório aparecem no topo da lista de riscos prováveis, nas cinco primeiras posições. Segundo o documento, 78% dos executivos ouvidos pelo fórum esperam um aumento dos confrontos econômicos e polarização política doméstica.

Graves ameaças para o clima estão no no topo da lista dos riscos de longo prazo para o crescimento da economia global. De acordo com o documento, a mudança do clima vem tendo um impacto mais forte e mais rápido do que muitos esperavam. “As consequências de curto prazo da mudança do clima se somam à uma urgência planetária de perdas de vidas, tensões sociais e políticas e impactos econômicos negativos”, afirma o relatório. O texto é o documento que deve embasar as discussões do fórum em Davos, nos Alpes suíços na semana que vem.

“Trata-se de um conjunto complexo de riscos para o mundo”, disse o presidente do Fórum Economico, Borge Brende.

O clima não estava entre os riscos mais iminentes no relatório do ano anterior, que recebeu dois capítulos especiais para tratar do tema este ano.

Peter Giger, um dos autores do relatório e especialista-chefe do Departamento de Risco da Zürich Insurance, afirmou o Brasil não pode repetir os mesmos erros das nações no passado e parar o desmatamento antes que seja tarde. Segundo ele, os incêndios nas florestas brasileiras no ano passado, e na Austrália nas últimas semanas são situações diferentes.

O documento também alerta que as doenças cardiovasculares e mentais tomaram o lugar das doenças transmissíveis como principal causa de mortes. E avisa que o professos na lista contra pandemias está sendo minado pela hesitação contra vacinas e a resistência a antibióticos.